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Militares pressionam Lula a encerrar a crise com os EUA

por Diário Regional

Estava demorando. Como foi amplamente divulgado, na época da intentona de 8 de janeiro de 2023, uma parte do Alto Comando das Forças Armadas queria aderir ao golpe, a outra banda ouviu os alertas do governo de Joe Biden, trazidos pelo Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, e o Assessor Especial do presidente americano, Juan González.

O recado era o de que estavam vendo com preocupação a democracia brasileira, mas acreditando que as Forças Armadas não participaram do golpe. Dito e feito. Diante de tal pressão, os militares recuaram, para preservar o que a crise de agora, a do “tarifaço”, ameaça colocar a perder.

Segundo o site Defesa Net, toda a caserna está em pânico e pressiona o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo avanço nas conversas com os EUA. O motivo é o mesmo que os levou a ficar fora do golpe: “temem as sanções e um eventual rompimento com os norte-americanos, o que pode gerar um colapso logístico e operacional em todo o sistema de defesa nacional, atingindo Exército, Marinha e Força Aérea”, diz o site.

Com a linguagem de sempre, a que conhecem, que é espalhar o medo, enviam ao governo do presidente Lula, recados preocupantes: “sem a tecnologia americana, o Brasil pode ficar cego, surdo e vulnerável”, é o que dizem. De posse desse argumento, as Forças Armadas pressionam Lula por diplomacia com os EUA e avisam: “o tempo está se esgotando para evitar um apagão militar.” Não soa ao tom de Trump?

Militares pressionam Lula por diplomacia urgente

De acordo com as informações reveladas pelo site DefesaNet, os principais comandantes das Forças Armadas têm feito forte pressão para que o presidente Lula “adote imediatamente uma postura mais pragmática e menos ideológica nas relações com os EUA”. O motivo? “Um eventual rompimento com os norte-americanos pode gerar um colapso logístico e operacional em todo o sistema de defesa nacional, atingindo Exército, Marinha e Força Aérea”, ameaçam, numa linguagem que conhecemos bem.

A matéria prossegue citando: “fontes militares ouvidas por bastidores do Ministério da Defesa apontam que a situação é crítica: diversos sistemas estratégicos como radares, comunicação criptografada, aviões de caça, embarcações navais e até munições dependem de peças e suporte técnico dos Estados Unidos. Sem isso, muitos desses equipamentos simplesmente deixam de funcionar”.

A ameaça parece ser real, mas talvez seja cedo para falar nesse tom, deixando antever um viés mais político do que de preocupação com o bom funcionamento do meio militar. Basta observar, por exemplo, o uso da caixa alta no intertítulo da matéria:

“PACIÊNCIA ZERO! MILITARES PRESSIONAM LULA POR TENSÃO COM OS EUA! FALTA DE PRIORIZAR NOSSAS INDUSTRIA”.

Se isso não se chama “oportunismo”, eu não sei que nome dar.

As queixas do ministro da Defesa, José Múcio, por recursos, levando a trinca de comandantes para almoços com o presidente Lula, em que a conversa mais parece o samba de uma nota só: choro por recursos, não é de hoje. Pressionam o governo para investimentos da ordem de 2% do PIB, quando sabemos que para 2026, todas as despesas discricionárias que podem ser usadas pelo poder Executivo, estão previstas para 1,8% do PIB (Dado da GloboNews). Em tempos de reajuste fiscal, a reivindicação soa absurda. Ninguém é contra equipar bem as Forças Armadas, mas que o orçamento ultrapasse as despesas do Executivo, isso não é possível.

A alegação é a seguinte:

“A situação é mais grave do que parece. A Força Aérea Brasileira ainda utiliza aviões F-5 com mais de meio século de uso, e seus estoques de munição estariam em níveis baixíssimos. O Exército, por sua vez, segue operando com blindados Leopard 1 A5, veículos que já deveriam ter sido aposentados, mas que continuam em campo pela ausência de substitutos — os novos blindados ainda não chegaram.”

Ora, convenhamos. Esse quadro tão caótico não se fez de uma hora para a outra. Onde estavam esses senhores, quando no governo passado se empanturraram de prótese peniana, estoques de leite condensado e montanhas de cloroquina, e que não viram o caos chegando? Faltou gestão? Onde estava o presidente amigo dos militares, que colocou turmas de oficiais para dentro do poder, e que não foi cobrado por esse cenário, que com toda certeza já se desenhava no horizonte?

Somos contra a precaução, ainda mais em tempos de crise? Não. Mas não se pode, de uma tacada, surfar numa onda de temor para arrancar, de uma só vez, todo o investimento que deixou de ser feito pelo (des)governo passado. Tivessem investido em mais equipamentos e menos cloroquina, certamente a situação estaria menos grave.

E prosseguem, carregando nas tintas: “Na Marinha, o cenário é igualmente preocupante: o projeto das fragatas Tamandaré ainda não foi concluído e muitos navios de combate não estão operacionais. Há, inclusive, relatos de escassez de munição para os armamentos já em uso. Se os EUA aplicarem sanções mais duras ou suspenderem o suporte técnico e o envio de peças, todo o sistema pode ser paralisado”.

Sobre as munições, tentem os CACs, que o presidente anterior abarrotou de fuzis e toneladas de cartuchos, à base do liberou geral. O choro é válido. O que não se pode permitir é que, em meio a uma crise real, séria, de desdobramentos inimagináveis, esses senhores se aproveitem para pressionar o presidente Lula. Essa postura tem cheiro de pólvora ou de “ideologia”, o que não é nada bom.

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