A seleção brasileira masculina de vôlei encerrou o Campeonato Mundial na 17ª posição, a pior posição do país na história do torneio. Também é a primeira vez desde 1998 que o Brasil ficou fora do pódio. O resultado é uma mistura de acasos – eliminação no saldo de sets, morte da mãe do técnico Bernardinho, um set point não concluído pela China – com falhas determinantes – entrar sem brio contra a Sérvia, não perceber que um único set já resolvia a questão e a falta de consistência na montagem do time.
É importante destacar que, apesar do péssimo resultado, a temporada no geral não é de se jogar fora. No ano em que Lucão, Bruninho e Leal se juntaram a Wallace e anunciaram que não jogam mais pela seleção, o time conseguiu uma campanha boa na Liga das Nações. Com elenco renovado, a equipe conquistou o bronze em um torneio de tiro longo, com 15 partidas.Mas veio a competição mais importante da temporada, o Campeonato Mundial, que antes era de quatro em quatro anos, e passou a ser bienal. Um torneio de tiro curto. No caso do Brasil, muito curto. Em apenas uma partida, tudo se decidiu, e a equipe foi eliminada após um desempenho irreconhecível contra a Sérvia.República Tcheca 3 x 0 China | Melhores momentos | Mundial masculino de vôlei 2025.
A notícia da trágica morte da mãe do técnico Bernardinho horas antes da partida com certeza afetou o treinador. As lágrimas à beira da quadra não esconderam que a emoção tomou conta do sete vezes medalhista olímpico. Mas o time deveria ter se alimentado disso para fazer uma espécie de homenagem ao treinador. Dedicar uma vitória para Bernardinho e toda família. O que aconteceu em quadra, porém, foi o contrário. Um time apático e sem brio.
Depois da derrota para a Sérvia, restava torcer para a China, pior time do grupo, vencer ao menos um set da República Tcheca. E isso quase aconteceu. Os chineses chegaram a ter um set point, com 24 a 23 no primeiro set, mas não converteram. Se aquele ponto fosse chinês, o Brasil certamente teria a vaga garantida no saldo de pontos.
Entre acasos e descasos, a seleção masculina de vôlei mostrou que está longe de ser a potência do início do século. Mas, ao mesmo tempo, deixou claro, pela Liga das Nações, que está ali, na segunda prateleira dos melhores times, pronto para ir ao pódio a qualquer descuido dos rivais. Essa é a realidade atual. Não somos o 17º melhor time do mundo, somos muito mais que isso. Mas não estamos no top 3.
